A agropecuária brasileira comemora, nesta terça-feira (25), o Dia do Trabalhador Rural. A data foi escolhida para homenagear homens e mulheres que aram a terra, cultivam e produzem os alimentos que chegam às mesas dos brasileiros e das pessoas do mundo todo.
Segundo dados do último Censo Agropecuário divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a agricultura familiar no Brasil já é a oitava maior produtora de alimentos do mundo.
Em Marituba, segundo Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Sedap), existem 13 polos produtivos. Cada polo reúne, em média, dez produtores. Estes produtores respondem pelo fornecimento de hortaliças, piscicultura, aquicultura, avicultura, fruticultura, além de pequenos e médios animais.
Acima de tudo, são histórias de vida marcantes desses homens e mulheres que abastecem nossas mesas, apesar de todas as adversidades.
Família Matias – A família Matias, do polo São Francisco, é formada pela agricultora Fátima Matias, 66 anos, e seus filhos, Antônio Elias Matias, 41, e Samuel Matias, 25. Os três dão continuidade ao trabalho desenvolvido pelo patriarca da família, Antônio Matias, falecido recentemente, aos 71 anos, vítima da Covid-19.
A história dos Matias tem início na década de 90, quando o agricultor veio do Ceará, em busca de oportunidades para sua família. O objetivo era ir para o município de Altamira, mas uma ponte quebrada mudou o destino e os encaminhou para Marituba.
Com a ajuda da mulher e os filhos adolescentes, o senhor Antônio deu início ao plantio de feijão e milho. Da produção de grãos, o senhor Antônio partiu para a produção de hortaliças, como o couve, cariru, chicória, cheiro verde e cebolinha.
Mais recentemente, o agricultor empreendeu na piscicultura, ao fazer um lago em seu terreno de dois hectares. O sonho da família foi interrompido pela Covid-19, em março deste ano. Apesar da dor pela perda do patriarca, a família está tocando em frente o sonho do pai.
Todos os dias, Antônio e Samuel acordam cedo e escoam a produção de suas hortaliças nas feira e mercados de Marituba, abastecendo as mesas locais e gerando divisas para o município. Diariamente, é produzida uma média de 50 maços de hortaliças. “Sentimos muita falta do pai, mas continuamos levando em frente o que ele nos ensinou. Não podemos deixar acabar tudo aquilo que ele deixou e sonhou”, comenta o primogênito.
Orgulho em produzir alimentos – O trabalho do produtor rural já pode ser evidenciado nos primeiros momentos da manhã. Logo que acordamos, temos amostras do esforço destes trabalhadores: no nosso café da manhã, com frutas, pães, frios, mel, suco, café, leite e derivados.
É o caso da pecuarista Rita de Cássia Souza. Ela possui uma pequena propriedade no bairro do Riacho Doce, onde há dez anos produz leite, queijo e coalhada, e vende sua produção de porta em porta.
Apesar de ser oriunda da Região Metropolitana de Belém, a criação de gados e a produção de laticínios está no sangue da família da pecuarista, que fala que se comunica com os animais que cria. Dona Rita diz ainda que sente muito orgulho de seu trabalho, apesar de toda a carga diária árdua.
O dia começa ainda na madrugada e não tem hora para acabar. Às cinco horas da manhã, o esposo tira o leite das vacas e dona Rita fica encarregada de embalar e partir para vender o produto de porta em porta. Mas este trabalho não é tudo, ainda tem a capineira, dar ração para o gado, e todo o trabalho doméstico, que não pode ser deixado de lado.
Em seu terreno de quatro hectares com seis vacas leiteiras, a família chega a produzir mais de 200 litros de leite por semana. “O trabalho é cansativo, mas quando a gente faz o que gosta, a gente faz com amor. Tenho consciência da importância do nosso papel, que é de fornecer alimentos e doar amor. Nosso trabalho é doar amor, é isso”, resume a pecuarista.
Valorização da atividade agrícola – A Sedap foi criada para incentivar a valorização da atividade agrícola do município de Marituba, através de um resgate da agricultura familiar.
Nesta gestão, a Secretaria vem incentivando os agricultores a utilizar os bons princípios de manejo sustentável, bem como agroecológicos, além de ofertar incentivos para o setor produtivo, evitando o êxodo rural e conscientizando sobre a importância de produzir alimentos saudáveis, assim como, buscar mercados consumidores para escoar a produção.
“Seja no município ou fora dele, a fim de gerar renda para as famílias, fortalecendo a política agrícola dentro do município e buscando parceiros para o desenvolvimento deste setor”, destaca o titular da Secretaria, Yuri Bastos.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, há mais de quatro milhões de trabalhadores rurais. É sempre importante relembrar que são essas pessoas que alimentam o Brasil e, em sua maioria, são operações baseadas na agricultura familiar.
Texto: Márcio Flexa
Fotos: Vitor Dargot, Wenderson Santos e Ary Brito



