Neste dia 17 de maio é comemorado o Dia Internacional contra as LGBTfobias (Homofobia, Transfobia e Bifobia). A data é lembrada como um símbolo à luta contra a violência, desrespeito e aversão à comunidade LGBTQIAP+, comunidade esta que historicamente tem sido negligenciada e sofrido ataques por conta de sua orientação sexual e identidades de gêneros.

A data é considerada importante a este público desde o ano de 1990 quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou da Classificação Internacional de Doenças (CID) a palavra homossexualismo que considerava pessoas homossexuais como doentes e criminalizando todas as homossexualidades.

Rai Carlos Durans, primeiro homem trans do Pará

Para o Coordenador Municipal da Política de Saúde Integral LGBTQIAP+ de Marituba e primeiro homem trans do Pará, Rai Carlos Durans, o dia 17 de maio é a data mais importante para esta comunidade, pois somente a partir dela as pessoas que se consideram homossexuais, transexuais ou bissexuais passaram a ter os seus direitos individuais e coletivos garantidos. “Antes dessa data, os homossexuais eram considerados doentes e até mesmo incapazes mentalmente”, explica.

“Desde 1990 – com a nova classificação da OMS –, a data 17 de maio passou a definir que todas as identidades da sigla LGBTQIAP+ será protegido e terá garantido os seus direitos, cidadania e proteção”, completou.

Uma luta árdua

A atriz performista, Magda Pereira, mais conhecida como Magda Strass é uma mulher trans. Ela conta que nasceu em uma família tradicional e altamente católica, mas apesar da tradição familiar encontrou todo apoio que precisava em seu lar para se descobrir e iniciar sua transformação hormonal.

Atriz e performista, Magda Strass

Magda lembra que foi descoberta pela a sociedade após se tornar a primeira mulher trans eleita Miss Pará Gay, em 1979, Miss Brasil Gay, em 1990, e Miss Universo Gay, em 1981, – na época não havia diferenciação entre as nomenclaturas gays e trans.

“Nessa época sai na capa dos jornais paraenses e foi um reboliço só. Eu realmente causei para aquela sociedade que era extremamente preconceituosa e por esse motivo tive que ficar cinco dias sem poder sair na rua”, relembra Magda Strass que chegou a ser agredida e ter seus cabelos cortados na escola em que estudava.

Apesar dos momentos difíceis, os concursos lhe abriram grandes portas de emprego. Magda foi chamada por uma grande casa de show de Belém para se apresentar como transformista e assim, por meus belos cabelos ondulados e suas performances com músicas da Gal Costa, ela passou a ser conhecida como a Gal Costa Paraense, título esse que lhe rendeu vários prêmios e trabalhos no Pará, São Paulo e fora do país.

“Tiveram muito dias difíceis e dias bons, mas o importante é que conquistei o meu espaço perante a sociedade e a comunidade LGBTQIAP+. Ainda há muito o que conquistar, a nossa luta é árdua e não cessa, mas hoje me sinto feliz por nossas conquistas e o dia 17 de maio é uma delas. O dia que conquistamos liberdade, cidadania e dignidade”, concluiu.

Novos dias, novos desafios e novas esperanças

Aos 20 anos, o orientador social do Cras Emmanuel Rocha, Rodrigo Correa, conta que vive bem e feliz com sua orientação sexual, porém para ele nem sempre foi assim. Apesar de ter recebido todo apoio e acolhimento necessário de sua família, quando se descobriu homossexual aos 12 anos de idade, o mundo externo ao seu lar o preocupava.

“Desde novo eu já percebia que o mundo era muito preconceituoso e esse momento em que eu estava tentando entender minha sexualidade foi muito turbulento para mim. Eu já entendia quem eu era, porém não sabia dar nome ao que estava sentindo”, afirma.

Orientador social, Rodrigo Correa

Rodrigo explica que atualmente possui um trabalho que gosta e tem o respeito dos colegas de trabalho e amigos, mas para chegar onde está precisou se esforçar bastante alcançar seus objetivos.

“Infelizmente, desde novo eu percebi que os homossexuais possuem muitas dificuldades para viver a vida. As pessoas em geral estão carregadas de preconceitos e às vezes acabam criando barreiras que dificultam nosso caminho por isso eu sempre entendi que precisava me doar três vezes mais para conquistar o que quero”, disse ele.

Apesar das dificuldades ele mostra que qualquer pessoa pertencente a sigla LGBTQIAP+ deve olhar para dentro de si e querer o melhor para si, se permitindo viver e sonhar.

“Aqui em Marituba eu tenho o respeito dos meus colegas de trabalho e dos meus amigos. A gestão em si é uma gestão que acolhe as diversidades, é possível ver gays trabalhando em cargos grandes, o que nos deixa mais orgulhosos e nos faz acreditar que todos podemos trilhar bons caminhos”, completou.

Nesta data tão especial que marca as lutas contra as LGBTfobias, a Prefeitura de Marituba ressalta o seu cuidado e compromisso garantindo os direitos, cidadania e proteção a todos, almejando por um futuro cada vez melhor e igualitário a todas as pessoas.

Da redação Comus

Fotos: Ary Brito, Fernando Nobre e arquivo pessoal

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