Com vocação destacada para a horticultura, a agricultura familiar de Marituba está despertando para a fruticultura como uma de suas culturas de destaque. O ano de 2021 foi um ano de prioridade para a organização do setor em Marituba.
De acordo com o gerente de Agricultura Familiar da Diretoria de Agricultura, Aquicultura e Pesca da Sedap, Abraão Braga, ao assumir, a atual gestão encontrou apenas uma listagem com 30 nomes e os contatos telefônicos destes produtores. Esse era todo o banco de dados sobre a agricultura em Marituba.
“Hoje nós temos um banco de dados com 160 agricultores familiares, constando a localização de cada um e o quantitativo de produção de cada produtor”, destaca o gerente.
De ponta a ponta do município, da entrada da Alça Viária até o Canaã, a estimativa é que mais 50 famílias ainda serão cadastradas, passando a uma média de 210 famílias de agricultores no município.
O titular da Sedap, Yuri Bastos, ressalta que a fruticultura tem recebido uma atenção especial por parte das politicas públicas da prefeitura. Como exemplo ele cita o cultivo da banana que já teve uma produção marcante em Marituba, mas devido a falta de apoio acabou se perdendo.
“Estamos aproveitando a pauta da PNAE para que os produtores que cultivem a fruticultura e possuam DAP se cooperem e que possam fornecer ao município a produção para que seja distribuída na merenda escolar”, explica Yuri.
Dentro dessa perspectiva, o secretário explica que estão sendo realizados estudos do solo e levantamento do potencial de cada produtor, de cada área e realizando parcerias com órgãos como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) para ofertar assessoria especializada a esses produtores.
Outra característica da agricultura familiar de Marituba é a predominância de mulheres entre os produtores. É o caso da agricultora familiar Arlete Maria José, 62 anos, do bairro de São Francisco.
Em seu terreno ela produz frutos como abacaxi, mamão, mudas de plantas frutíferas e medicinais e com isso sustenta sua família. Arlete também é a única produtora da laranja zamboa, fruto que chama a atenção por causa do tamanho do fruto.
Zamboa é o nome de uma árvore nativa da Ásia, da família das Citráceas, que pode atingir até 10 metros de altura. Suas folhas são longas, escuras e grossas e suas flores são brancas e fragrantes.
Seus frutos de casca grossa e amarelada – e bem maiores que a laranja convencional – têm membrana e polpa amargas e azedas, sendo por isso muito usados para fazer compotas e doces.
“Há aproximadamente 15 anos eu consegui umas mudas do fruto junto com outros agricultores mas fui a única que consegui desenvolver o cultivo da laranja aqui em Marituba”, comentou Arlete.
De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o Pará apresenta condições climáticas adequadas para a produção de citrus, sendo o segundo maior produtor nacional de limão e sétimo de laranja no Brasil.
Da Redação Comus
Foto: Patrik Santos e Ary Brito



