Carla Gisele Furtado, 35 anos, é casada, tem três filhos e uma neta. Audiléia Oliveira, 37 anos, é solteira, tem quatro filhos e três netos. José Tupinambá Miranda, tem 57 anos e há 16 anos é servidor público municipal. Os três são personagens de uma jornada diária em busca de uma cidade mais limpa e bonita. Faça sol ou faça chuva, lá estão eles, retirando das ruas e residências todo o lixo gerado naturalmente ou por ação dos seres humanos.
O dia 16 de maio foi escolhido para homenagear os garis, profissionais que muitas vezes não recebem o devido respeito e a visibilidade que deveriam ter. Estes profissionais são de extrema importância para uma cidade melhor, mas é muito importante cada indivíduo fazer a sua parte e não jogar lixo nas ruas.
Para Carla Gisele, a jornada diária de trabalho não é fácil, mas é muito compensatória dada a importância do trabalho desenvolvido por ela. Há quatro meses na função, ela diz que esta é uma experiência muito diferente das que ela já passou. “É uma nova oportunidade que nós mulheres estamos aproveitando. No começo eu tive muita dificuldade, pois algumas tarefas exigem muito da força física, mas eu soube ultrapassar muito bem este limite”, explica.
Ser gari é motivo de muito orgulho para Audileia. Ela conta que passou muito tempo desempregada e por isso sabe reconhecer como é importante estar empregada e realizando um trabalho digno. “Eu me considero uma guerreira, pois durante um tempo tive muita dificuldade de conseguir as coisas para os meus filhos, agora eu estou realizando um trabalho muito útil e posso levar o alimento para a minha casa”, ressalta.
Dos três, José Tupinambá é o mais experiente. Ele é servidor público municipal é já passou por várias funções. Ele sente orgulho pelo seu trabalho e reclama da falta de reconhecimento por parte da sociedade. “Nosso trabalho é de extrema utilidade pública, hoje nós somos mais reconhecidos porque a população percebe que a limpeza pública está funcionando, somos mais bem vistos pelas pessoas nas ruas”, comenta.
O município de Marituba possui 37 garis, destes, apenas cinco são mulheres. Na atual gestão estes profissionais possuem extrema importância. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano (Seidur) é responsável pela limpeza pública na cidade – que inclui recolhimento de lixo domiciliar, capina e roçagem.
Para aumentar a produtividade e agilidade na coleta de resíduos domiciliar foram adquiridos três novos caminhões coletores. Cada veículo tem capacidade de recolher cinco toneladas de lixo. Atualmente, a frota está com dez caminhões coletores, sendo que dois veículos ficam na reserva para não ocorrer atraso caso aconteça algum problema mecânico.
O termo “gari” surgiu em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, que ficou conhecido por ser o fundador da primeira empresa de coleta de lixo nas ruas do Rio de Janeiro, em 1976.Na época, quando as pessoas queriam que as ruas fossem limpas após a passagem dos cavalos, chamavam os “garis”.
Texto: Márcio Flexa
Fotos: Vitor Dagort


