
Mystila e Marco Aurélio
Ter um filho com surdez é um grande desafio. Desafio que a psicopedagoga Mystila Ribeiro, coordenadora da Unidade de Apoio a Cegos e Surdos (Umacs), precisou enfrentar quando viu seu único filho, Marco Aurélio, perder a audição, com apenas seis meses de idade. Ela relata como tudo aconteceu. “Levamos o Marco Aurélio para hospital e ele ficou internado por quase dois meses. As sequelas foram essas: perda da audição e problemas na visão. Aos sete meses ele iniciou tratamento no Instituto Felipe Smaldone e até hoje faz acompanhamento. Da minha parte, tive que me adaptar à nova situação. Corri atrás de conhecimento. Fiz curso de libras, me especializei em educação especial inclusiva, fiz psicopedagogia, mas a convivência e o dia a dia com meu filho me deram inúmeras lições. Juntos, passamos por várias situações de preconceito”, conta.
“Teve gente que disse que ele nunca iria ser alguém, mas a vida mostrou o contrário. Meu filho tem hoje 20 anos, estuda Enfermagem e ano que vem será a formatura”, diz a mãe orgulhosa.
Quando Marco Aurélio iniciou o curso universitário, tomou uma decisão que chocou a todos. Decidiu tirar o aparelho que facilitava sua audição. Ele era usuário do Implante de Coclear desde os 13 anos, mas aos 18 decidiu que ia assumir sua surdez e que as pessoas teriam que aceitá-lo do jeito que ele era. Foi uma escolha pessoal que a família teve que acatar.
Este ano, Mystila Ribeiro se viu diante de um novo desafio. Foi convidada para assumir a gestão da Unidade Municipal de Apoio aos Cegos e Surdos (Umacs). “Em momento algum eu senti receio de assumir essa missão. Então, pedi sabedoria pra Deus, porque sei que não é fácil”, relatou.
A Umacs, que está sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação (Semed), existe desde 2015 e suas ações buscam a melhoria de qualidade de vida das pessoas com deficiência auditiva e deficiência visual, e conta com a atuação de 12 técnicos no atendimento de quase 40 alunos, entre cegos e surdos. “O nosso público se constitui de alunos da rede municipal e da comunidade em geral, que não estão em sala de aula, mas que precisam de algum tipo de atendimento. Temos também os atendimentos itinerantes, que em grande parte são aos idosos, que recebem nossas visitas em suas casas, mas, agora na pandemia, tivemos que nos adaptar e realizar atividades remotas”, descreve.

Professor Arlindo Gomes
Os serviços oferecidos pela unidade são nas áreas de educação física especializada, atendimento domiciliar, orientação e mobilidade, atividades de vidas diárias, pedagogia, psicopedagogia, assistência social, itinerância, interpretação em libras, apoio especializado em libras e braile, tanto na unidade como nas salas multifuncionais dentro das especificidades de cada clientela. Para oferecer esses serviços a unidade conta com a ajuda da Gestão de Apoio à Educação Inclusiva (Gapei), também ligada à Semed. Por se tratar de uma unidade inclusiva, a Umacs é responsável por viabilizar um atendimento contínuo.
Para marcar a comemoração do Dia Nacional da Educação de Surdos, que transcorre neste dia 23 de abril, a Umacs promoveu um bate-papo com o professor Arlindo Gomes de Paula, especialista em Educação Especial e Gestão Escolar, já disponível na página oficial do YouTube da Prefeitura de Marituba. O professor Arlindo, que também é surdo, fala sobre “A importância da família na construção da Identidade Surda: desafios e possibilidades”. Mystila Ribeiro também fala sobre o trabalho desenvolvido pela Umacs e a ex-aluna da Umacs, Tamyres Gonçalves, também relata sobre a experiência na unidade. É uma discussão importante que destaca o papel da família no desenvolvimento e inserção desse público na sociedade.

Ex-aluna da Umacs, Tamyres Gonçalves
Texto: Rosa Borges – Ascom Semed
Fotos: Vitor Dagort e arquivo pessoal